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Divulgação
Elvas pode até não ter caído, mas perdeu um de seus principais trunfos: o controle dos trabalhadores terceirizados da gestão. Nos bastidores da política municipal, a movimentação do vice-prefeito para assumir esse domínio acendeu um alerta vermelho. Trata-se de um movimento estratégico, semelhante ao que ocorreu na gestão de Dr. Pessoa, quando o prefeito se tornou refém da classe política.
A tentativa do vice-prefeito de interferir diretamente na gestão dos terceirizados não é apenas uma invasão de competência, que tradicionalmente cabe ao prefeito e aos órgãos administrativos, mas também levanta sérias suspeitas sobre interesses políticos e pessoais. O uso da terceirização no setor público deve servir para garantir a continuidade dos serviços essenciais à população, e não para se tornar um instrumento de barganha política ou um mecanismo de manipulação da máquina pública.
O perigo real dessa manobra vai além da disputa de poder dentro da gestão municipal. A partir do momento em que um vice-prefeito assume o controle sobre essas contratações, abre-se um precedente perigoso: a distribuição de vagas não por mérito ou necessidade administrativa, mas sim por conveniência política. Esse jogo pode resultar no aparelhamento da administração pública, beneficiando aliados e fortalecendo um sistema de lealdades que mina a eficiência da gestão.
O risco de assédio moral e perseguição política também não pode ser ignorado. Trabalhadores terceirizados podem se ver forçados a seguir diretrizes políticas, sob a ameaça velada de perderem seus empregos. Além de antiético, esse tipo de prática pode configurar abuso de autoridade e improbidade administrativa.
A discussão não deve se limitar a um embate interno dentro da prefeitura. O que está em jogo é o impacto direto sobre o serviço público, a transparência na gestão e os direitos dos trabalhadores. Um ambiente de trabalho regido pelo medo e pela subordinação política compromete a qualidade do atendimento à população e enfraquece os mecanismos de fiscalização e controle.
Se o objetivo fosse realmente melhorar a gestão dos terceirizados, a solução não estaria na concentração de poder nas mãos do vice-prefeito, mas sim na criação de regras claras, processos seletivos justos e maior transparência na administração desses contratos. O papel de um vice-prefeito deveria ser de articulação e colaboração estratégica, e não de disputa por territórios administrativos e influência sobre servidores vulneráveis.
Mas a ambição de Jeová não se limita ao controle dos milhares de terceirizados. O verdadeiro jogo de poder está em usar essa massa de trabalhadores como moeda de troca para fortalecer sua posição no comando do parlamento municipal. O xeque já foi dado. Agora, resta saber se a gestão terá forças para evitar o xeque-mate.